sábado, 30 de outubro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
O fardo
Hoje, voltando para casa, avistei uma mulher negra, de cabelos pretos e curtos, a alguns metros de mim. Ela era baixa, magra, e tinha uma aparência cansada, frágil. Porém, não parecia ser muito velha. Vestia uma bermuda desbotada preta e uma blusa branca com alguns furos. Essa mulher carregava em seus braços uma caixa, e eu deduzi que fosse uma cesta básica. E uma coisa sobre elas eu sei: são bem pesadas. Mas mesmo assim, a mulher caminhava. Ofegante, mas ainda caminhava. Em dado momento, ela olhou para trás e olhou nos meus olhos. Aí eu pude ver - e concluir - que a mulher sofria com o peso em seus braços, que estava, de fato, muito pesado.
Como eu estava somente com a minha bolsa leve e meu fichário, acabei por ultrapassá-la. Todavia, antes disso acontecer, ela parou e colocou a caixa no chão. E, com um gemido de cansaço, ela disse mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa: "Ah, que dor na costa!", e suspirou profundamente.
De repente, antes que eu pudesse me dar conta, meus olhos estavam banhados de lágrimas. Só que não sabia mais porque chorava: se era por ter visto a pobre mulher daquele jeito, ou por não tê-la ajudado a carregar o fardo que tanto a fez sofrer.
Como eu estava somente com a minha bolsa leve e meu fichário, acabei por ultrapassá-la. Todavia, antes disso acontecer, ela parou e colocou a caixa no chão. E, com um gemido de cansaço, ela disse mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa: "Ah, que dor na costa!", e suspirou profundamente.
De repente, antes que eu pudesse me dar conta, meus olhos estavam banhados de lágrimas. Só que não sabia mais porque chorava: se era por ter visto a pobre mulher daquele jeito, ou por não tê-la ajudado a carregar o fardo que tanto a fez sofrer.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
E eu tive vontade. Quando estávamos juntos, sozinhos, com seus braços ao meu redor. Você olhava nos meus olhos, para dentro de minha alma, enquanto eu tentava contar as cores de seus olhos, decifrá-los. E lutava contra a imensa vontade de lhe dizer o que quanto eu te amo. Orgulho? Talvez. Medo? Mas de que, exatamente? De que talvez você não sinta o mesmo por mim. Ou até sinta, mas de uma maneira menos intensa.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Interurbano
Tua calma voz, de longe,
afasta a solidão e o medo.
Através das montanhas
descubro-te em segredo.
Descubro a tua força,
a verdade de tua vida.
Reafirmo-me contigo
grande sombra recolhida.
Através das montanhas
voa tua voz em calma
o teu corpo está distante
tua alma, aqui, me espanta
de tanta solicitude.
Ah, quanto a simples ternura
de gente a gente me ajuda!
Ajuda-me tu, coração
e mão, longe, nas montanhas.
Tua voz seja bem-vinda
flor de uma terra estranha,
igreja e céu tão lindos!
Olhos azuis florindo.
[Renata Pallottini]
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