quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O fardo

Hoje, voltando para casa, avistei uma mulher negra, de cabelos pretos e curtos, a alguns metros de mim. Ela era baixa, magra, e tinha uma aparência cansada, frágil. Porém, não parecia ser muito velha. Vestia uma bermuda desbotada preta e uma blusa branca com alguns furos. Essa mulher carregava em seus braços uma caixa, e eu deduzi que fosse uma cesta básica. E uma coisa sobre elas eu sei: são bem pesadas. Mas mesmo assim, a mulher caminhava. Ofegante, mas ainda caminhava. Em dado momento, ela olhou para trás e olhou nos meus olhos. Aí eu pude ver - e concluir - que a mulher sofria com o peso em seus braços, que estava, de fato, muito pesado.
Como eu estava somente com a minha bolsa leve e meu fichário, acabei por ultrapassá-la. Todavia, antes disso acontecer, ela parou e colocou a caixa no chão. E, com um gemido de cansaço, ela disse mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa: "Ah, que dor na costa!", e suspirou profundamente.
De repente, antes que eu pudesse me dar conta, meus olhos estavam banhados de lágrimas. Só que não sabia mais porque chorava: se era por ter visto a pobre mulher daquele jeito, ou por não tê-la ajudado a carregar o fardo que tanto a fez sofrer.

Nenhum comentário: